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quarta-feira, 13 de maio de 2009

Quando eu era pequena...

... meu pai me chamava de Espanhola.

Artigo de Emanuela São Pedro, aluna do estúdio Tirititrán

Eu cresci achando que isso era o melhor elogio do mundo e, desde então, alimentei uma fantasia sobre a Espanha. As espanholas devem ser lindas e a Espanha, um lugar mágico.

Desde pequena eu danço. Já passei pelo ballet clássico, contemporâneo, dança de salão e, no último ano, cheguei ao flamenco. Eu sou rodeada de pessoas que se ligam à Espanha e ao flamenco de alguma forma. Tenho inclusive uma prima que é professora em Joinville, Adriana Alves. Por isso e por outras coisas, acho que minha ligação com esse país e esse povo não se resume apenas a um apelido carinhoso do pai.

Passada a contextualização, fato é que surgiu a oportunidade de ir à Espanha, em abril deste ano. E foi assim, tão de repente, que eu nunca imaginei que meu sonho se realizaria tão depressa. Eu pensei que tivesse de lutar mais por ele, mas foi apenas a vontade enorme que moveu as coisas. Com isso eu deponho a vocês: o mundo move segundo a nossa vontade. Se você deseja do fundo do coração e tem a tranqüilidade de esperar que virá no melhor momento, o mundo conspira a seu favor. E foi assim que embarquei para o meu sonho, onde ficaria por sete dias.

A viagem

Estive dois dias em Barcelona, um deles passando mal dentro do quarto do hotel. A diferença de fuso horário de 5 horas, a mudança nos horários de comer e a comida de avião não me fizeram bem. Então me restou apenas um dia para conhecer tudo que eu gostaria. Não deu pra ver tudo, mas os principais: Casa Batló, La Pedrera, Parque Guel, Ramblas, Paseo de Gracia, Sagrada Familia. Não pude ir ao Estádio do Barcelona, Museu Picasso, Fundação Miró, nem em Barceloneta.


CASA BATLÓ

Recomendo a quem for que compre o ingresso para o Barcelona Bus Turist. Ele possui três rotas e te deixa nos principais pontos turísticos da cidade. Também é uma boa oportunidade para você conhecer a cidade e seu movimento de uma forma geral, e admirar tudo de cima do segundo andar do ônibus. Ele passa de 10 em 10 minutos e você pode descer e desfrutar daquilo que mais lhe interessa.

PLAZA DE CATALUNYA

Minha experiência no famoso restaurante El 4 Gats, onde um dos quatro gatos fundadores foi Picasso, não foi boa. Foi um dos primeiros lugares que saímos (eu fui pra Espanha com meu maridão) e não sabíamos que quando você chega num restaurante, você tem que pedir tudo de uma vez: entrada, primeiro prato, segundo prato, se houver, e quiçá a sobremesa. Aqui no Brasil a gente pede a entradinha e fica horas conversando... ô coisa boa. Esse costume de lá eu não gostei, porque se você é como eu, que não agüenta ficar em pé depois de um belo jantar, a noite termina cedo. Eu não consigo ficar de “conversê” por horas enquanto como a sobremesa, senão durmo em cima dos doces! Bom, o que ocorreu no El 4 Gats é que o garçom não teve a sensibilidade de perceber que poderíamos ter um costume diferente ou a paciência de nos explicar como era o usual. Quando pedimos apenas a entrada, ele já começou a nos xingar, dizendo que ali não era lanchonete. A gente até poderia tê-lo ajudado a nos entender, mas ficamos com raiva de tamanha grosseria. Nos deslocamos para onde ele indicou como o lugar de quem faz apenas lanche, longe do som do piano comemos muito a contra-gosto e fomos embora.

Barcelona poderia ter sido uma péssima experiência: passei mal um dia todo, vi poucos pontos turísticos e ainda levamos sabão do garçom mal educado. Mas não foi. Eu vi as obras tão sonhadas de Gaudi e me emocionei por estar lá! A cidade é um charme só, as pessoas alugam e andam por toda parte de bicicletas públicas. O trânsito é ótimo, o metrô te leva a qualquer parte e você pode andar na rua a qualquer hora, ela estando vazia ou não, que não há problema.

Sobre o metrô e a segurança, é assim também em Madrid. Eu andei por toda a parte enquanto meu marido estava no evento que foi participar e, ao final dos cinco dias, eu já tinha toda a região central registrada num mapinha na minha cabeça. Conheci pontos turísticos (Palácio Real, Puerta de Alcalá, Plaza de Cibeles, Plaza Mayor, Museu do Prado [com Velasquez, Goya,etc], Museu Reina Sofia [Picasso, Miró e outros. Guernica de Picasso está lá]), mas também quis participar da vida dos madrileños (fiz siesta tirando soneca no Parque do Retiro, visitei locais menos centrais como o bairro que rodeia a estação de Oporto).

PUERTA DE ALCALÁ

PLAZA DE CIBELES

PALÁCIO REAL

PLAZA MAYOR

Nesta cidade também vale a pena pegar o Madrid Vision, o correspondente ao Bus Turist de Barcelona. Ele faz apenas duas breves rotas, se você for objetivo como eu, em um dia roda tudo e sente a movimentação da cidade, participando do trânsito. É legal também o serviço do AeroCity, que faz o traslado hotel-aeroporto, aeroporto-hotel com um bom preço. Você pode reservar aqui do Brasil, antes da viagem. Mas se você for com poucas malas, o melhor transporte para este trajeto é o metrô. Há uma estação no Terminal 4 do Barajas e é muito em conta.

Madrid é uma cidade mais urbana, diferente de Barcelona. Porém, há muitos prédios antigos lindos, a cidade é toda história e isso a faz diferente de nossas cidades grandes e urbanizadas aqui do Brasil. Uma delícia é passear e ver as lojas das redondezas da Puerta Del Sol, como na Calle Preciados, principalmente. Não deixe de ir à Casa de Diego, ver sombrinhas e leques de qualidade, e a Antigua Pasteleria Del Pozo, com ares do século XIX.

Em Madrid as lojas mais tradicionais fecham de 13h às 17h para a siesta, como ocorre em Anton Martín, próximo à Escola Amor de Dios e você também precisa chegar no restaurante, e pedir entrada e pratos principais todos de uma vez. Dessa forma, eu não fui mais destratada. Outra coisa linda é que nesta época do ano o sol se põe às 21h. Isso mesmo. Você sai pra jantar com a noite ainda dia!

O flamenco

Eu conheci o Flamenco jenuíno em Madrid. O flamenco vive, o flamenco vivo.

TEATRO LOPE DE VEGA



TVSpain - Spain on Video

Eu fui ao Teatro Lope de Vega assistir ao espetáculo Carmen, da companhia Sara Baras.

SARA BARAS MOSTRA UMA VISÃO PARTICULAR DE "CARMEN"',
EM SEU ÚLTIMO ESPETÁCULO DE FLAMENCO E DANÇA.

Abaixo alguns trechos do espetáculo:





Puxa, que show! Simplesmente sensacional. Sara, que interpretou Carmem, Luis Ortega, que fez Don Jose, e José Serrano, el torero, destruíram no palco.


JOSÉ SERRANO, EM "SABORES", DA CIA. SARA BARAS

O espetáculo é um exemplo belíssimo de como o flamenco saiu dos tablados e ocupou o palco de um grande teatro com maestria. Sara, que fez a direção do espetáculo, mesclou de forma fantástica os bailes flamencos com a clássica ópera de Bizet. Eu não tenho como negar que este flamenco mais contemporâneo me encanta. É ele que eu quero pra minha vida.

Também assisti a um espetáculo de tablado na tradicional taberna Casa Patas. Vale a pena ir. A comida é maravilhosa, a sangria é divina e os profissionais que lá se apresentam são na maioria de muita qualidade. Infelizmente não me agradou muito os dois bailaores que lá se apresentaram no dia que eu fui. Não cabe aqui citá-los. A técnica é boa, mas faltou leveza, faltou fazer força sem demonstrar que é difícil. Faltou chegar ao ponto dos grandes, quando domina-se o corpo, a música e o conjunto da dança. Mas talvez seja pedir demais, neh? A experiência foi ótima. Destaque para a bailaora Olga Pericet, que fez bonito.

Com meu pouco conhecimento, eu consegui identificar quais bailes estavam sendo interpretados e até ajudar nas palmas. Obrigada minhas queridas professoras Paulinha e Manu. Com pouco tempo de aula no Tirititrán, eu não fiz feio. Acho que também não fui mal nas aulas na Escola Amor de Dios, a melhor do mundo. Lá estudei com Candela Soto e conheci a brasileira Klara, aluna dela. Ambas pessoas queridas, que marcaram minha viagem. Candela possui uma técnica perfeita, é exigente e presta atenção em todos os alunos, todos os movimentos. É carinhosa e atenciosa: deixou minha amiga assistir minha aula, eu assistir a aula mais avançada, que seguia a minha, fotografar e gravar. A aula dividia-se em duas partes: a primeira, repetição de exercícios de sapateado, enquanto Candela batia a bengala no contratempo. A segunda parte, sequencia de braços e expressão corporal de uma soleá. Candela e Klara, besos!

COM CANDELA SOTO NA AMOR DE DIOS

A escola tem ares típicos: os corredores não são muito iluminados, há cartazes falando de aulas e de tudo mais do flamenco pelas paredes da secretaria. Nos corredores, muitas fotos de grandes artistas, que fizeram história. E o flamenco pulsa naquele lugar, nas notas de uma guitarra, nos tacons e golpes dos sapatos, na voz de professores e cantaores, no estalo das castanholas. Eu sou muito feliz por ter vivido a experiência de uma semana como aluna da Amor de Dios. Eu vou voltar.


VISITA À AMOR DE DIOS E AULAS COM CANDELA SOTO

Além dos espetáculos e das aulas, eu fotografei figurinos em vitrines e fiz compras flamencas. Os flamenquitos de plantão, em visita por Madrid, não podem deixar de comprar xales de seda na Artesania Reys, Calle Preciados, 11. Possuem cores variadas, são grandes e o preço é muito especial, a metade do que se vê em outros lugares. Essa dica foi da Paulinha e eu aprovei! Castanholas Del Sur e roupas comprei na DeFlamenco.com. As coisas são bonitas, com qualidade, e o preço é razoável. As roupas da tienda Maty - Calle del Maestro Victoria, 2 – são maravilhosas, mas o preço é salgado. Se não puder comprá-las, pelo menos não deixe de visitar a loja e conhecer os modelos. Esses três lugares estão na Puerta Del Sol, tudo pertinho um do outro.

MODELITOS FLAMENCOS DA MATY

Comprei sapatos Menkes, pedi com um mês de antecedência por e-mail para Mercedes e foi com ela que os peguei no meu primeiro dia em Madrid. Deu tudo certo, recomendo. Os sapatos são lindos, qualidade indiscutível. São muito duros, recomendo usar as primeiras vezes com meias e utilizar algum produto que faça o couro ceder. Eu machuquei os pés.

Eu espero cada vez mais ouvir meu coração batendo nos compassos do flamenco. Eu ainda estou começando e como ponto de partida eu tenho energia e amor por essa arte. Ainda faço poucas estripulias no tablado, mas a emoção e a vontade estão dentro de mim prontas para explodir na dança.

Quando eu era pequena, meu pai me chamava de espanhola. Eu cresci achando que isso era o melhor elogio do mundo e, desde então, alimentei uma fantasia sobre a Espanha. As espanholas devem ser lindas e a Espanha um lugar mágico. As espanholas são lindas, cada uma a seu estilo. A Espanha é sim um lugar mágico. É o meu lugar.

Por Emanuela de Avelar São Pedro – uma flamenquita iniciante, de sorte.

Turismo em Barcelona e Bus Turist: http://www.barcelonaturisme.com/
El 4 Gats: http://www.4gats.com/
Turismo em Madrid: http://www.turismomadrid.es/
Madrid Vision: http://www.madridvision.es/
AeroCity: www.gomadrid.com/aerocity
Casa Patas: http://www.casapatas.com/
Escola Amor de Dios: http://www.amordedios.com/
DeFlamenco.com: http://www.deflamenco.com/
Sapatos Menkes: http://www.menkes.es/
Companhia Sara Baras: http://www.sarabaras.com/

terça-feira, 17 de março de 2009

Porque eu gosto do flamenco?

texto de Clara Albinati, ex-aluna.

Quero escrever agora porque eu gosto do flamenco. Estou escutando Enrique Montoya. Montoya, Heredias, Camborio. (Si te llamaras Camborio hubieras hecho una fuente de sangre de cinco chorros). O soluço da guitarra tece os arabescos de um pátio árabe. E o llanto, o chorar, é o canto mais primitivo. Como unindo o que há de mais antigo? Como brogando da terra e na terra se fincando. Os bailarinos, bailaores, os cantaores, os guitarriscas, eu os conheço e são a sensibilidade bruta. Como adoro a sensibilidade bruta nos homens. Como também a adorava o Lorca, recolhendo cantes por andaluzia, em partituras e poesias. Aquele belíssimo tan solamente a la tierra... São os homens da terra, camponeses, aqueles da meseta, dos olivais, do rio guadalquivir. Aqueles que não tem as palavras todas do dicionário e da poesia e dos letrados. Os que só tem um coração, fininho e como um vulcão. O amor, a paixão, essa coisa terrível, como escreveu nas suas tristes cartas o meu querido Werther, é igual para todos os homens: os intelectuais e os de bruta sensibilidade. É da mesma forma tumultuoso. É da mesma forma tolo. E a paixão não correspondida é da mesma forma dolorida e intratável como uma gravíssima enfermidade que pode, talvez, nos consumir até a morte, independente de nossa vontade, de qualquer dos nossos esforços. O coração é igual e sente igual. Os meus homens rutos, como para exprimi-lo, para cantar dor tão pesada e, a um só tempo, querida, expõem seus peitos, com poucas palavras e suas muitas invenções e estranhas construções. Tão simples e tão sinceras. É seu encanto. Porque as palavras ditas assim, com o fogo, com o llanto ou com uma doce alegria: só pelo sol, pelo céu, os olivais, por uma mulher ou por uma luna, lunita buena; são como as primeiras palavras. Assim como o canto, chorado, monomelódico é como, sempre, o primeiro canto; o que dizem são, também, as primeiras palavras. As primeiras palavras de um homem. E só podem ser verdadeiras. A percussão também é ancestral e é o ritmo do organismo; é, na sua forma mais seca e mais resumida e mais certa, o tempo da paixão, do amor, da burla, da alegria; de tudo isso se misturando... Meus homens de amor bruto expõem à atmosfera seus corações palpitando. Eles devem ser protegidos de tudo, eu queria protegê-los, em um abraço de penas, do ar frio do mundo, da compreensão dos entendidos, das análises secas, das vozes altas e descuidadas, porque para um peito exposto, tudo é violência.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Sobre ser Flamenco


Y ser flamenco es cosa:
es tener otra carne
alma, pasiones, piel, instintos y deseos;
es otro ver el mundo,
con el sentido grande;
el sino de la conciencia,
la música en los nervios,
fiereza independiente,
alegría con lágrimas,
y la pena, la vida y
el amor ensombreciendo;
odiar lo rutinario,
el método que castra;
embeberse en el cante,
en el vino y los besos;
convertir en un arte sutil,
y de capricho y libertad, la vida;
sin aceptar el hierro de la mediocridad;
poner todo a un envite;
saborearse, darse, sentirse,
¡vivir!

Tomás Borrás
“Elegía del cantaor”, en homenaje a don Antonio Chacón

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O que diz o Cante? O que representa o Baile?

U M A   B R E V E   I N T R O D U Ç Ã O   À S   L E T R A S  D E S T E   S E M E S T R E



Quando pensamos em Flamenco pensamos automaticamente em alguns elementos que compoem sua liga artística: o Cante, o Baile e o Toque.

Do ponto de vista do Baile, temos que ter em mente que não dá para ignorar o que nos diz o Cante. Não dá para "colar" mecanicamente as seqüências de passos aprendidos nos inúmeros cursos que fazemos, sem amarrar o conteúdo corporal à história que precisamos "contar". Essa história a ser contada está intimamente relacionada com a compreensão daquilo que nos diz o Cante e da capacidade de exteriorizarmos a nossa própria experiência de vida de forma espontânea e autêntica. Como fazer? Precisamos deixar fluir - unica e exclusivamente porque o corpo não é capaz de esconder aquilo que já viveu.

E isso está à léguas de "pregar um sorriso no rosto" (como diria a nossa Paula Andrade) num Baile por Tangos só porque sabemos que, originalmente, o Tangos faz parte de um grupo de Bailes Festeros.

Entender a proposta que o Cante faz ao nosso corpo é um exercício. Mas esse exercício pode ser surpreendentemente delicioso porque, com ele, aprendemos a colocar mais ALMA em tudo o que fazemos.

O Flamenco é, sim, uma das manifestações da cultura espanhola de maior evidência em todo o mundo mas isso não significa que é necessário ser espanhol (e/ou mais precisamente, andaluz) para que nosso Baile, Cante e Toque sejam convincentes. Podemos, como referência, aportar ao Flamenco que fazemos o sofrimento experimentado pelo nativo de solo brasileiro na época da colonização e pelos negros trazidos da África para servir como escravos aos Senhores de Engenho que tinham, de maneira semelhante, o canto, o toque e a dança como instrumentos exorcizadores destas e de outras penas. Vale lembrar que estes "instrumentos" influenciaram ativamente toda a arte e a cultura do nosso país.

Ainda que precisemos respeitar o berço do Flamenco e todas as circunstâncias históricas que determinaram o seu surgimento, o "acento" brasileiro pode e deve ser utilizado como ponte entre culturas. Isso porque existe algo no Flamenco que é comum a todas as manifestações artísticas e culturais. Ele é uma forma de linguagem. O Baile dialoga com o Cante e o Toque é o facilitador harmônico que amarra todo o processo.

Mais que uma forma de Arte, o Flamenco é uma forma de expressão e, como tal, acabou sendo assimilada por artistas de diversas partes do globo. Isso porque as fronteiras geográficas se tornaram facilmente transpostas na atualidade, e nada é mais natural do que a aproximação e/ou fusão de diversas manifestações culturais. As fusões possibilitam o surgimento de novas idéias, novas manifestações artísticas e novos estilos musicais, mantendo a arte pulsante e atual.

Seguiremos conversando...

Abaixo estão algumas letras dos bailes trabalhados neste semestre, tiradas ("al oído") por Leonardo Mordente, Manu Ángel e Paula Andrade. Estamos abertos a correções. (tirititran@terra.com.br).


Tangos I

Ay, por la calle vá y viene
la gitana que yo quiero
Ay, no se le ve la cara
Ay, "mare", con el sombrero

Ay, no te pongas "colorá"
que esa carita/cara que tienes
y a mi no me dice "ná"

Glossário:
  • Gitana - Adj. ou Subst. que faz referência ao povo nômade que chegou a Península Ibérica por volta do século XV.
  • Colorá (colorada) – corada, vermelha.
  • Ná (nada) – nada.
  • Saiba mais sobre este palo no post sobre Tangos.

Tangos II

Sant’Ana...

Graná tiene un rastrillo
En la iglesia de Sant’Ana
Donde van los flamenquitos
Y a mirar por la mañana

Y vos, y vos
Darte la vuelta ligero
Como se la da el reloj

Ay no me pegues bocaíto
Que tú me haces cardenales
Cuando tú llegas a tu casa
Qué tú se lo dice a tu “pare"?

Ay, “mare”, Lelele...
Ay, lere...

Glossário:
  • Graná (Granada) – Cidade capital da província andaluza de mesmo nome. Além do Flamenco, Granada encanta por patrimônios históricos: a Alhambra (“Qal'at al-hamra” que significa “fortaleza roja” - complexo de constituído por fortaleza e palácios com decoração islâmica e que abrigava a corte do Reino de Granada), os Jardins do Generalife (Vila de jardins ornamentais, construída entre os séculos XII e XIV, utilizada pelos reis mulçumanos de Granada como lugar de descanso), Sacromonte e Albaicín.
  • Iglesia de Sant’Ana – Situada aos pés da Alhambra num amplo espaço denominado Plaza Nueva faz parte do conjunto de arte mudéjar - estilo artístico que se desenvolve nos reinos cristãos da Península Ibérica, mas que incorpora influências, elementos o materiais de estilo hispano-muçulmano.
  • Bocaíto – Mordida
  • Cardenales – Hematomas
  • Pare – Padre (Pai)
  • Mare – Madre (Mãe)
  • Saiba mais sobre este palo no post sobre Tangos.

Alegrias

Que más puedo pedir si estoy aquí contigo
Y en cada amanecer y me regala un suspiro
Que más puedo pedir si vivir es lo que pido
Y un farolillo de luz alumbre nuestro camino

Que me llama la atención
Dos cositas tiene Cai
Que és la mocita de mi barrio
y la plaza San Juan de Dios

Que esta mujer es bonita la de mi "Cai"
Que parte los corazones con su sacai

Su carita en ton del alba
Cuando te miro y no te veo
A ver si regresa pronto
A esa tierracita de España

En Aragón, Agustina y en Cai, la Lola
demostraron al mundo ser españolas

Dime lo que tienes, Carita de Rosa
Dime lo que tienes, que estas tan llorosa
Que estas tan llorosa, que estas tan llorosa, que estas tan llorosa
Dime lo que tienes, dime que te pasa, dime lo que tienes Carita, Carita de Rosa

Glossário:
  • Cai (Cádiz) – Cidade capital da província andaluza de mesmo nome. Forma com a Campina de Jerez e Jerez de la Frontera a região metropolitana da Bahia de Cádiz. Trata-se da cidade mais antiga do Ocidente (com mais de 3100 anos). Sob o ponto de vista da “geografia do cante flamenco”, encontra-se numa área denominada “Cádiz y los Puertos”, território cujos palos mais característicos são aqueles de caráter “festero”, como as cantiñas (grupo de palos que incluem as Alegrias, Caracoles, Romeras e Mirabrás) assim como os Tangos, os Tanguillos e as Bulerías de Cádiz. Também são característicos deste entorno alguns cantes mais jondos como as Siguiriyas e as Soleares de Cádiz.
  • Plaza San Juan de Dios – Considerada a primeira praça de Cádiz (sua construção teve início no século XV). Fora do amuralhado medievaldois bairros começavam a se formar: o de Santa Maria (à leste) e o de Santiago (a oeste). O Amplo espaço entre ambos se converteu nesta praça que no início era chamada “Corredera de las Aguillas” ou somente “Corredera”. De acordo com o momento histórico a Praça San Juan de Dios recebeu outros nomes tais como: Plaza Real, Plaza de Armas, Plaza de la Misericordia, Plaza de Isabel II, Plaza del Pueblo e Plaza República. Com a demolição das muralhas, em 1906, a Plaza San Juan de Dios ganhou mais amplitude.
  • Sacais - Termo caló para “olhos”.
  • Aragón – Comunidade Autônoma espanhola, situada na região norte do país, resultante do reino histórico de mesmo nome. Tem como capital a cidade de Zaragoza.
  • Agustina de Aragón – Foi uma heróica defensora de Zaragoza na Guerra da Independência Espanhola. Ela fazia parte de um grupo de mulheres que atendia feridos da guerra e consiguiu disparar um canhão sobre as tropas francesas que corriam para a entrada aparentemente indefesa. Temendo uma emboscada, os franceses bateram-se em retirada e novos defensores fecharam as entradas, defendendo a cidade mais uma vez.
  • La Lola (Lola Flores) – Também conhecida como “Lola de España” e “La Faraona”, Maria de los Dolores Flores Ruiz, nascida em Jerez de la Frontera (Cádiz) era a mais velha dos três filhos de um taberneiro com uma gitana. Desde sua infância chamou atenção por seu dom de imitar grandes figuras do cante e do baile folclórico do momento. Seu pai apostou no futuro artístico da pequena Lola e decidiu mudar-se para Madrid. Aos 14 anos, Lola conseguiu seu primeiro contrato como bailarina para atuar nos intervalos entre atos de um teatro madrilenho. Esse pequeno espaço foi suficiente para que a pequena comprovasse seu talento, apoiado num temperamento extraordinariamente forte. Começou a trabalhar com Manolo Caracol e nos anos 40 veio a triunfar nos palcos de toda a Espanha já no comando de sua própria companhia. La Lola é um ícone da história da Espanha, faz parte do imaginário coletivo e define a mulher andaluza.
  • Saiba mais sobre este palo no post sobre Alegrias.

Soleá por Bulerías

Ay...

hablar con Dios yo quiero
quería confesar
El que es malo y se arrepiente
lo deben perdonar

tu querer es como el viento
tu querer, primita mía, es como el viento
el mío, como la piedra, ay
que no tiene movimiento

Glossário:
  • Arrepiente – do verbo arrepentirse = arrepender-se.
  • Saiba mais sobre este palo no post sobre Soleá por Bulerías.

Bulerías

Ay...

Mi primito Manuel
Que a mi me vende burrito/burro cano
Porque me hace falta el parné

Ay, no tires agua a la calle
Que te van hacer una multa
Los guardias municipales

Pero que mira que te digo
que te voy hacer un caminito
de tu casita a la mia
pá poder yo ir hablar contigo

Glossário:
  • Cano – velho.
  • Parné – dinheiro.
  • Saiba mais sobre este palo no post sobre Bulerías.

Colombiana

Ay...

Quisiera, cariño mio,
Que tu nunca me olvidaras
Ay, que tus lábios con los míos
En un beso se juntaran
Ay no hubiera nadie en el mundo
Nadie que nos separara

Ay ven a mí, Ay ven a mi
Cantemos los dos
Ay, Que cantando la colombiana
Se pasa la vida que és mucho mejor


Sevillanas

Voy a sacar a bailar
A la del vestio graná
A la del vestio graná
Con ella voy a empezar
A bailar por sevillanas

(ESTRIBILLO)
Voy a sacarla a bailar
Por si bailando me olvido
Por si bailando me olvido
Que la que me gusta a mi
No quiere bailar conmigo

Voy a sacar a bailar
A la de los ojos verdes
A la de los ojos verdes
Tiene tan verde mirar
Que al mas tranquilo lo pierde

Voy a sacar a bailar
A aquella que esta sentada
A aquella que esta sentada
Porque hace un buen rato ya
No me quita su mirada.

Voy a sacar a bailar
A la más indiferente
A la más indiferente
Que me está haciendo pasar
Lo que no sabe la gente.
  • Saiba mais sobre este palo no post sobre Sevillanas.

domingo, 5 de outubro de 2008

La SeÑoRiTa DeL aBaNiCo

Frederico Garcia Lorca

La señorita del abanico
va por el puente del fresco río.
Los caballeros con su levita
miran el puente sin barandillas.

La señorita del abanico
y los volantes busca marido.
Los caballeros están casados,
con altas rubias de idioma blanco.

Los grillos cantan por el oeste,
la señorita va por lo verde.
Los grillos cantan bajo las flores,
los caballeros van por el norte.

La señorita del abanico
va por el puente del fresco río.

sábado, 4 de outubro de 2008

aBaNiCo CHicLaNEro


Decir abanico
es decir verano,
es decir te quiero,
y besar tus manos.

Corta el aire
tu abanico chiclanero,
corta el aire del suspiro,
cuando digo... ¡ Te quiero. !

Y me ofrece ráfagas de viento,
con olor a menta y a canela,
a tardes tranquilas,
a noches de espera.
A mesa en la puerta
con sillas de anea,
de par en par, mi casa abierta,
de par en par, mi alma en ella.

Corazón tranquilo,
giro de muñeca pausado,
corazón dolido,
pulso acelerado.

Háblame el lenguaje del amor
que tú y yo sabemos,
con la boquita cerrada,
con los ojitos de deseos.

Abanico andaluz:
bello, elegante,
confidente y paciente,
suaves caricias,
sin importarnos la gente.

Con ella por la ribera del Iro,
siempre acompañándonos.
Por la Alameda del Río,
nos sentamos, y nos besamos.

Unas veces se cierra,
otras, se abre...
Si te hablo de amor,
tu abanico, corta el aire.

A.M.D.-M.

(fonte: http://enmicolinadesueos.blogspot.com/2008/08/abanico-chiclanero.html?showComment=1218756120000)

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

FLamENcO e PuBLiCiDaDE

(por Silvia Guerra, aluna do Tirititrán)

Resolvi escrever esse post pois une duas coisas que amo: a Publicidade e o Flamenco. Bom, na verdade, quero fazer algumas contribuições para o blog com as fusões do mundo do flamenco com o mundo da Publicidade.

A primeira contribuição é sobre o comercial da Tim do Dia dos Pais. Se prestarmos bastante atenção na trilha utilizada, é possível perceber o som de castanholas, num ritmo bem gostoso.

Ainda nas contribuições do Flamenco no mundo publicitário, lembrei de um anúncio de jornal que vi há um tempo atrás. Era uma campanha da TAM Linhas Aéreas, sobre os vôos diários para Madrid. Uma peça muito linda, em formato de leque, com uma ilustração bem típica dos abanicos.

Essa foto foi tirada no Museu da Língua Portuguesa em São Paulo, que fica na Estação da Luz. Ela mostra algumas roupas e acessórios espanhóis, para fazer referencia à influência espanhola na nossa língua. Fica a dica do museu pra quem estiver pensando em viajar para São Paulo.

terça-feira, 8 de abril de 2008

¿DóNDe eSTá eL DueNDdE?

Frederico Garcia Lorca

El duende... ¿Dónde está el duende? Por el arco huero entra un aire mental que sopla con insistencias sobre las cabezas de los muertos, en busca de nuevos paisajes y acentos ignorados; un aire con olor de saliva de niño, de hierba pisada y velo de aguamar que anuncia el constante bautizo de las cosas recién creadas.

A buscar el duende no hay mapa ni ejercicio. Solo se sabe que él quema la sangre como un brebaje de vidrios, que agota, que rechaza todo el dulce geometría aprendida, que rompe los estilos...

La llegada del duende presupone siempre una transformación radical en todas las formas sobre viejos planes, da sensaciones de frescor totalmente inéditas, con una calidad de rosa recién creada, de milagro, que llega a producir un entusiasmo casi religioso...

En toda música árabe, baila, ¡canción o elegía, la llegada del duende es saludada con enérgicos "Alá, Alá!", "¡Dios, Dios!", ¡tan próximos del "Olé!" de los tauros que quizá sea el mismo; y en todos los cantos del sur de España el aparecimiento del duende es seguida por sinceros gritos de "¡Viva Dios!", profundo, humano, tierno grito de una comunicación con Dios por medio de los cinco sentidos, gracias al duende que agita la voz y el cuerpo de la bailarina...

segunda-feira, 7 de abril de 2008

¿Que És eL DueNDe FLaMeNCo?

Por José Mª Parra, cantaor,
em maio, 2002.

En muchas ocasiones hemos leído u oído decir definiciones acerca de ese sentimiento o emoción interna que los intérpretes flamencos albergan –aunque no con la frecuencia deseada- cuando interpretan el flamenco.

Algunos estudiosos de la teoría flamenca han configurado denominaciones entorno a este fenómeno. Este es el caso de Carlos Almendros que afirmó que el duende es "una fuerza y misterio que adquiere una manifestación artística, cuando ésta capta el espíritu, produciéndose un particular estremecemiento", Anselmo González Climent dijo "es el momento en el que se percibe la pureza escénica que se desea, es estar en trance, en desborde confesional, es el momento de la perfección artística y de la plenitud humana del cantaor y, por ende, del cante flamenco", Domingo Manfredi Cano escribió, "el duende es una situación en la que el cantaor alcanza los límites del trance y transmite a sus oyentes una carga emocional de tal naturaleza que los arrastra al paroxismo, límite con la locura, es cuando los oyentes se rasgan la camisa a tirones y los hombres más enteros, se secan los lagrimones a manotazos", otra definición fue la de Emilio García Gómez que lo llamó situación-límite o situación psíquica que traducida mediante el tárab, palabra árabe, significa entusiasmo, éxtasis, enajenación, para Alicia Mederos el duende "es algo así como escuchar el rumor del mar en una caracola y sentir que todos los océanos caben en ese espacio mágico de viejísimas melodías".

En mi opinión, el duende es un estado de ánimo en el que el intérprete flamenco se siente como si casi no existiera, es un momento en el que la mente se encuentra despojada de ataduras y vacía de contenido, unos instantes en los que uno no tiene nada que ver con lo que ocurre alrededor y en los que simplemente se contempla de forma maravillada y respetuosa todo lo que sucede, es algo que fluye por si mismo.

El duende es un estado de gracia, en el que la excelencia se produce sin el menor esfuerzo, un estado en el que el intérprete está absorbido por el presente y en el que sus emociones están exentas de represión alguna, más al contrario, estas se activan de forma positiva y se alinean con la actividad que se esta llevando a cabo, bien sea cante, toque o baile.

Abundando un poco más en la definición de este fenómeno, se puede decir que, el rasgo característico de esta experiencia extraordinaria es una sensación de alegría espontánea en la que se produce un cierto rapto de nuestro consciente. Son momentos en los que uno se siente tan bien que resulta intrínsecamente recompensable, un estado en el que el artista se absorbe por completo y presta una atención indivisa a lo que está haciendo.

Cuando se alcanza esta situación la atención se focaliza tanto, que la persona pierde la noción del tiempo y del espacio, es un estado de olvido de uno mismo, una forma de estar en la que uno se encuentra tan absorto en la tarea, que desaparece por completo toda consciencia de sí mismo y en el que se abandonan hasta las más pequeñas preocupaciones de la vida cotidiana.

Los momentos del duende son momentos en los que el ego se halla completamente ausente y en los que el rendimiento es extraordinario, aunque paradójicamente, la persona está completamente despreocupada de lo que hace y su única motivación descansa en el mero gusto de hacer lo que se está haciendo ... cantar, tocar o bailar.

Pescado da Revista Amigos de Andalucía.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

FaLaNDo sObRe FLaMeNCo

Por Silvia Saraiva, aluna de Flamenco,
em setembro, 2007.



Dizem que "palavras são como vento"... Um dia vi um documentário que mostrava um saco plástico "dançando no vento", flutuando no ar por cerca de um minuto, igualzinho a uma dançarina de flamenco: aquele movimento da saia embalada num redemoinho de vento que ditava um compasso desafiador entre o lento e o absurdamente acelerado. Parecia a natureza dançando.

Fazer o corpo assimilar e "falar" a linguagem do flamenco é um desafio tal qual aprender uma nova língua. Por isso uma turma de iniciantes no flamenco seja realmente tão especial: é quando a mágica acontece pela primeira vez - torta, inconstante, meio sem jeito. As mãos de uma dançarina de flamenco são como a "letra" de uma canção embalada pela "melodia" dos pés. Se nas palavras prefiro temas alegres no flamenco não é diferente: sempre me chama a atenção as danças das crianças, dos casais felizes, das senhorinhas que sapateiam enquanto cantam, o tipo de dança que não é dramática, o tipo de dança que se pode dançar sorrindo.

De uma coisa eu sei: não sou boa desenhista; tampouco sei me expressar em imagens ou arte abstrata. Brincar com as palavras é outra estória. Dizem que "palavras são como vento"... e escrever sobre a dança tem sua graça artística legítima porque desenha uma imagem sobre um sentimento na nossa imaginação, não com pincel, mas com palavras. E tal qual as palavras "dançar é como o vento".

(Pescado do blog da própria Silvia: Mensagem de Texto)

Referências de vídeo:


De Tablao, Cia. de Antonio el Pipa


Matilde Coral, bailando no avião


Trecho do filme "Ibéria", de Carlos Saura


Referências no acervo do Tirititrán:

- Audio: MATCD004, MATCD005, MATCD009, MATCD010, MATCD011, MATCD012.
- Leitura: MATLIV001, MATAPO001, MATAPO002.
- Vídeo: MATDVD001, MATDVD033, MATDVD036, MATDVD051, MATDVD060, MATDVD064, MATDVD065.

terça-feira, 1 de abril de 2008

TRíaDe FlaMeNCa – cante, baile e toque

Por Manu Ángel
em abril, 2008.

É comum nos depararmos a pergunta clássica dos alunos: "no Flamenco, o que surgiu primeiro? Cante, baile ou toque?".

É importante deixar claro que a questão aqui não é eleger favoritos nem definir e estabelecer hierarquia na “tríade flamenca”. Este texto tem menor pretensão: é um convite ao estudo. Quer investigar, buscar, levantar hipóteses, compartilhar e abrir espaço ao diálogo.

De la tierra, esa música viene de la tierra, viene de la contienda,
del asalto. del oscuro atropello de las arterias del planeta.
Viene de la preponderancia del fuego, del confuso lenguaje
de los yacimientos, del desconsuelo de los minerales.
Esa música és cega como las raíces y és terca como las semillas.
Sabe a tierra como la boca de un cadáver. Viene e és de la tierra.
Redobla la geología. Esa música és parda como la corteza,
compacta como los diamantes. No dictamina: solo muestra la voraz
certidumbre de lo vivo. El vértigo que vá desde el sustrato a la
calamidad que grita. Esa música és el agujero que delata en los hombres
su ascendencia . Esa música és todo ese agujero, un sordo abismo que
reclama la primer soledad, lo primer llanto en la primera noche.
(Francisca Aguirre)


Sabemos que diversas circunstâncias históricas e geográficas determinaram o surgimento do Flamenco na região que conhecemos hoje como Andalucía. A invasão e a dominação da Espanha pelos mouros, a queda de Granada, a tomada da cidade pelos reis católicos, a perseguição sistemática de árabes, ciganos e judeus pela Inquisição, a cristianização imposta àqueles que permaneceram na região...

Muito da história das origens do Flamenco foi perdida, devido a estas circunstâncias. Além disso, o Flamenco sempre foi transmitido pelas famílias de forma oral, herança da cultura cigana. A documentação escrita é relativamente recente e por isso não há como afirmarmos categoricamente sobre a ordem de surgimento destes elementos.

Considera-se, hoje, que o cante flamenco foi a primeira manifestação dessa arte a surgir com toda a força da marginalização e da resistência às perseguições sofridas. Forte e gutural, como herança dos lamentos e orações cantadas dos árabes, das canções desesperadas e hipnóticas dos mouros e das queixas dos ciganos encarcerados ou foragidos.

En la puerta del cante, en el ayeo, la voz es sólo expresión pura, y suena igual que el viento entre los árboles. No ha empezado la copla todavía, pues la puerta del cante no se compone de palabras; está compuesta de sonidos, y estos sonidos no relatan nada: tiemblan; no dicen nada: cantan (...) Al escucharlos se nos desloca la carne en el cuerpo, como si el pensamiento y la atención hubiesen hecho en nosotros un movimiento brusco. En el ayeo se oye la voz de una manera distinta y principal (...) se encuentra en la antesala del día de la creación igual que se el lenguaje aún no existiera. Esta entrada del cante es su momento de más profunda y lírica intensidad. El ayeo es cante puro. (Luis Rosales)


Arcángel, cantaor, Tonás

Um músico poderia propor considerarmos o toque de uma maneira ampla, inclusive, admitindo qualquer acompanhamento percussivo. Assim, o martelo que busca ajeitar insistentemente a fibra metálica na bigorna dando cadência a um cante por Martinetes ou o som matizado de pés e palmas, dando compás a outros cantes poderiam ser argumentos interessantes que colocariam em xeque a minha suposição de que o baile teria surgido na seqüência do cante.

La guitarra,
hace llorar a los suenos.
El sollozo del as almas
perdidas,
se escapa por su boca
redonda.
Y como la tarantula
teje una gran estrella
para cazar suspiros,
que flotan en su negro
aljibe de madera.
(Frederico Garcia Lorca)



Vicente Amigo, guitarrista


Mas quero propor outro caminho. Que não é propriamente inverso porque é, justamente, por estarem no mesmo sentido que conseguimos fazer uma amarração, uma trança resisente o bastante (ao tempo e ao preconceito) com cante, toque e baile.

Dança é linguagem. Antes de polir pedras e construir abrigos o homem já se movimentava ritmicamente para se aquecer e para se comunicar. Por instinto.

Como arte a dança segue a via de expressão dos signos de movimento (com ou sem ligação musical). É a única das artes que dispensa materiais e ferramentas. É dependente apenas do corpo e da vitalidade do homem para cumprir sua função de expressão de sentimentos e vivências subjetivas.

No Flamenco prefiro acreditar, exatamente por isso, que o baile tenha surgido antes do toque de guitarra (que tem registros de incorporação ao Flamenco já no século XIX)... Não é raro presenciar manifestações repletas de aire executadas naturalmente por artistas flamencos que simplesmente braceam enquanto cantam... Não deveria ser diferente nos tempos mais remotos do Flamenco. Se pensarmos no baile, levando em consideração essa carga notável de inspiração nos movimentos que adornam o cante, expressando sentimentos, ainda que maneira rudimentar, também podemos pensar em considerar seu surgimento numa fase anterior ao toque da guitarra.

É claro que essa afirmação pode parecer tendenciosa aos olhos do leitor, afinal, sou bailarina e não musicista. Mas logicamente não estou levando em consideração o baile como conhecemos nos dias atuais. A minha linha de raciocínio está pautada no corpo e, através dele, na manifestação de suas experiências.

Baile, baile.
El baile es un sufrir,
Es alegría y es pena,
Es templez y temperamento,
Se lleva dentro,
Es leal y traicionero,
Emite sonidos claros
Y emite sonidos negros.
Porque el baile es un genio
Y los genios andan sueltos.
(Anônimo)


Manuela Carrasco, bailaora, Soleá por Bulerías

Vamos conversar sobre isso?

Manu Ángel, bailarina, coreógrafa e professora de Flamenco assina este post.

segunda-feira, 31 de março de 2008

EsTuDoS paRa UmA bAiLaORa AnDaLuZA

João Cabral de Melo Neto

Dir-se-ia, quando aparece
dançando por siguiriyas,
que com a imagem do fogo
inteira se identifica.

Todos os gestos do fogo
que então possui dir-se-ia:
gestos das folhas do fogo,
de seu cabelo, sua língua;
gestos do corpo do fogo,
de sua carne em agonia,
carne de fogo, só nervos,
carne toda em carne viva.

Então, o caráter do fogo
nela também se adivinha:
mesmo gosto dos extremos,
de natureza faminta,
gosto de chegar ao fim
do que dele se aproxima,
gosto de chegar-se ao fim,
de atingir a própria cinza.

Porém a imagem do fogo
é num ponto desmentida:
que o fogo não é capaz
como ela é, nas siguiriyas,
de arrancar-se de si mesmo
numa primeira faísca,
nessa que, quando ela quer,
vem e acende-a fibra a fibra,
que somente ela é capaz
de acender-se estando fria,
de incendiar-se com nada,
de incendiar-se sozinha.

Subida ao dorso da dança
(vai carregada ou a carrega?)
é impossível se dizer
se é a cavaleira ou a égua.

Ela tem na sua dança
toda a energia retesa
e todo o nervo de quando
algum cavalo se encrespa.

Isto é: tanto a tensão
de quem vai montado em sela,
de quem monta um animal
e só a custo o debela,
como a tensão do animal
dominado sob a rédea,
que ressente ser mandado
e obedecendo protesta.

Então, como declarar
se ela é égua ou cavaleira:
há uma tal conformidade
entre o que é animal e é ela,
entre a parte que domina
e a parte que se rebela,
entre o que nela cavalga
e o que é cavalgado nela,
que o melhor será dizer
de ambas, cavaleira e égua,
que são de uma mesma coisa
e que um só nervo as inerva,
e que é impossível traçar
nenhuma linha fronteira
entre ela e a montaria:
ela é a égua e a cavaleira.

Quando está taconeando
a cabeça, atenta, inclina,
como se buscasse ouvir
alguma voz indistinta.

Há nessa atenção curvada
muito de telegrafista,
atento para não perder
a mensagem transmitida.

Mas o que faz duvidar
possa ser telegrafia
aquelas respostas que
suas pernas pronunciam
é que a mensagem de quem
lá do outro lado da linha
ela responde tão séria
nos passa despercebida.

Mas depois já não há dúvida:
é mesmo telegrafia:
mesmo que não se perceba
a mensagem recebida,
se vem de um ponto no fundo
do tablado ou de sua vida,
se a linguagem do diálogo
é em código ou ostensiva,
já não cabe duvidar:
deve ser telegrafia:
basta escutar a dicção
tão morse e tão desflorida,
linear, numa só corda,
em ponto e traço, concisa,
a dicção em preto e branco

Ela não pisa na terra
como quem a propicia
para que lhe seja leve
quando se enterre, num dia.

Ela a trata com a dura
e muscular energia
do camponês que cavando
sabe que a terra amacia.

Do camponês de quem tem
sotaque andaluz caipira
e o tornozelo robusto
que mais se planta que pisa.

Assim, em vez dessa ave
assexuada e mofina,
coisa a que parece sempre
aspirar a bailarina,
esta se quer uma árvore
firme na terra, nativa,
que não quer negar a terra
nem, como ave, fugi-la.

Árvore que estima a terra
de que se sabe família
e por isso trata a terra
com tanta dureza íntima.

Mais: que ao se saber da terra
não só na terra se afinca
pelos troncos dessas pernas
fortes, terrenas, maciças,
mas se orgulha de ser terra
e dela se reafirma,
batendo-a enquanto dança,
para vencer quem duvida.

Sua dança sempre acaba
igual como começa,
tal esses livros de iguais
coberta e contra-coberta:
com a mesma posição
como que talhada em pedra:
um momento está estátua,
desafiante, à espera.

Mas se essas duas estátuas
mesma atitude observam,
aquilo que desafiam
parece coisas diversas.

A primeira das estátuas
que ela é, quando começa,
parece desafiar
alguma presença interna
que no fundo dela própria,
fluindo, informe e sem regra,
por sua vez a desafia
a ver quem é que a modela.

Enquanto a estátua final,
por igual que ela pareça,
que ela é, quando um estilo
já impôs à íntima presa,
parece mais desafio
a quem está na assistência,
como para indagar quem
a mesma façanha tenta.

O livro de sua dança
capas iguais o encerram:
com a figura desafiante
de suas estátuas acesas.

Na sua dança se assiste
como ao processo da espiga:
verde, envolvida de palha;
madura, quase despida.

Parece que sua dança
ao ser dançada, à medida
que avança, a vai despojando
da folhagem que a vestia.

Não só da vegetação
de que ela dança vestida
(saias folhudas e crespas
do que no Brasil é chita)
mas também dessa outra flora
a que seus braços dão vida,
densa floresta de gestos
a que dão vida a agonia.

Na verdade, embora tudo
aquilo que ela leva em cima,
embora, de fato, sempre,
continui nela a vesti-la,
parece que vai perdendo
a opacidade que tinha
e, como a palha que seca,
vai aos poucos entreabrindo-a.

Ou então é que essa folhagem
vai ficando impercebida:
porque terminada a dança
embora a roupa persista,
a imagem que a memória
conservará em sua vista
é a espiga, nua e espigada,
rompente e esbelta, em espiga.

domingo, 30 de março de 2008

La AveNTuRa de EnSeñAR FLaMenCo (artigo)

Por Patricia García Bruzual
em março, 2005

Muchas veces la circunstancia de enseñar una disciplina nos cae como muchas cosas en la vida, sin planificación alguna. Simplemente la actividad surge como consecuencia de ser el único disponible o para hacerle un favor a un amigo, o porque te lo pide tu maestro, en vista de probablemente ser el más aventajado de la clase y además disponer del tiempo. En otras ocasiones enseñar se convierte en la única forma de sobrevivir en éste mundo que rodea al flamenco. Sea cual sea la circunstancia que nos pone en el camino de la docencia, hay muchos aspectos que debemos considerar. Enseñar no es un juego, ni una forma de sobrevivir. Si abrazamos el arte flamenco como una filosofía de vida, entonces enseñarlo se convierte en un compromiso de grandes dimensiones.

Enseñar es una aventura que nunca termina y que catapulta nuestra propia percepción del arte a otros niveles, y en nuestros países enseñar se transforma en una odisea, comparable a ésos esfuerzos que tan bien narran las historias épicas que han cautivado a los seres humanos de todas las épocas.

Cada uno de nosotros, los que nos hemos dedicado a la enseñanza, seguramente hemos confrontado los mismos problemas, que trataré de exponer sin priorizar. Seguramente omitiré muchos. Para cada quien, la importancia de cada uno de estos aspectos que trataremos es tan relativa como cuánto les haya costado solventar cada obstáculo. Algunos de ellos a veces nunca serán vencidos, pero eso es lo que diferencia a los maestros de los instructores. Los primeros siempre serán evocados, recordados y respetados. De los últimos solo podremos sacar alguna información para utilizar en algún momento, o lo que es peor, no podremos obtener nada.

Enseñar, aunque al principio puede ser una cadena de improvisación, no debe verse de ésa forma. A ver, alguien que me diga…. ¿CÓMO SE HACE PARA ENSEÑAR FLAMENCO?, ¿DÓNDE ESTÁ ESCRITO?, ¿HAY ALGUNA TEORÍA QUE RESPALDE ALGÚN MÉTODO EN ESPECÍFICO?, ¿CUÁL ES LA MEJOR TÉCNICA? De una u otra manera los que decidimos enseñar flamenco comenzamos con lo que sabemos, recordando cómo nos enseñaron y aportando lo que nuestras experiencias nos permita. En todo caso siempre será una mezcla que será perfeccionada por el antiguo método de “ensayo y error”. Un maestro nunca termina de aprender, pues una vez que decide enseñar sus propios alumnos comienzan a ser una nueva fuente de conocimiento que procesar y añadir a ésta mezcla.

Ése es el primer escollo: ¿Cómo y por dónde empiezo? El flamenco no sólo es taconeo, brazos y manos, expresión y líneas. También es música, ritmo, cante, percusión, filosofía, historia y sus exponentes. Es forjar criterio y espíritu crítico. Es entender la diferencia entre una ejecución con una propuesta artística, teatral, dramática o muy técnica de una simplemente comercial, complaciente.

Muchos excelentes intérpretes resultan ser pésimos maestros y viceversa. Esto es paradójico pero muy real. El arte de enseñar o mejor dicho, la habilidad de hacerse entender puede oponerse abiertamente a nuestra percepción del flamenco como intérpretes. Enseñar requiere racionalizar el arte y balancear alma y genio con cabeza y método; y no todos están dispuestos a ése sacrificio. Pero yo les aseguro que nada vale ir a un aula a demostrar nuestra “genialidad” si no sabemos llegarle al alumno.

Seguramente, y este es el segundo obstáculo, son nuestros propios alumnos. El snobismo desenfrenado de hoy en día nos “regala” alumnos cargados de superficialidad. Son aquellos que simplemente se mueven por la moda. Que quieren bailar “aflamencadamente” un tema de Rosario o David Bisbal, y piensan que lo más finado del flamenco son los “Gipsy Kings” (Sin desmerecer el trabajo de nadie, por supuesto). Llegar a bailar Sevillanas para algunos es ya toda una proeza, un logro enorme. Ahora no se quedarán sentados en las fiestas durante el set de Sevillanas, que aunque cortos, les dan “caché” y aires de “conocer mundo”.

Encontrar ese alumno perfecto, ese diamante en bruto puede costar toda una vida, porque hay que entender algo: La motivación y el embrujo del flamenco pertenece exclusivamente al alumno. La chispa que enciende el interés puede ser impulsada por un maestro. Es ése gesto que ocurre durante una clase, sin maquillaje ni vestuario, con el alma desnuda en nuestro “escenario privado”, o aquellas palabras que llegan al fondo del corazón de aquel alumno único, el impulso necesario para que se pase a nuestro bando. El de los que amamos este arte más allá de cualquier cosa.

Pero más allá de tocar las fibras de uno entre mil alumnos, está el difundir con honestidad aquello que sólo a nosotros nos motiva a vivir el flamenco como una experiencia única y muy personal. Esa sensibilidad transmitida en un salón de clases llega a muchos y es muy poderosa. Al final del día probablemente no saldrá una figura de nuestra aula y si tendremos la satisfacción de crear verdaderos aficionados, conocedores y amantes respetuosos como nosotros del arte flamenco.

Vencer nuestros demonios internos si no es el más difícil obstáculo, está muy cerca. Antes de maestros somos intérpretes. Artistas con egos muy elevados y alta competitividad. Ésa es la razón por la que muchos nos buscan como maestros. Quieren recibir lo que han visto en una tarima y admiran al artista sin prejuicios de ningún tipo. Entonces, pensar en que aquellos que se acercan a nosotros pues creen que tenemos algo que ofrecerles pueden “quitarnos nuestro estilo” o “desplazarnos” es toda una aberración. Para enseñar con honestidad hay que despojarse de toda vanidad y entregar el alma en cada clase. No se puede enseñar buscando la gloria de uno mismo. Aquellos que enseñan guardándose lo mejor para si mismos olvidan que los buenos maestros siempre serán superados.

Ése es el mejor aplauso para un maestro. Ser superados debe ser el objetivo. Ver triunfar a un alumno mueve fibras internas que nos hacen ver otras caras del complejo prisma del flamenco. La satisfacción después de horas de clase, ensayos, regaños y lágrimas es infinita. El triunfo no siempre es ver el nombre de tu alumno en una marquesina. La mayor parte de las veces es en el salón de clases. Un buen maestro sabe lo que cuesta superar cada dificultad del aprendizaje del flamenco y cuando un alumno logra “sacar un paso” eso se traduce en aplauso y la adrenalina es tan fuerte como la que sentimos como intérpretes.

Tenemos que entender que enseñar no significa crear copias de nosotros mismos. El flamenco es un oficio y los estilos son tan personales como intérpretes hay en el mundo. Eso le da al flamenco una característica única que debemos preservar los que decidimos enseñarlo. Lo que podemos darle a nuestros alumnos es en ocasiones finito. Muchos sentirán que ya no pueden aprender más de nosotros y alzarán el vuelo. Y lo que hagan con lo que les enseñamos es potestad personalísima de cada uno de ellos. Aunque cada maestro deja huellas indelebles en el estilo de sus alumnos, debemos aceptar que el flamenco que nuestros alumnos interpretarán no responderá únicamente a nuestras enseñanzas. Con suerte será una mezcla de maestros y vivencias. Y ése es el último eslabón de la cadena. Entender que los alumnos no nos pertenecen y permitirles crecer, volar y triunfar. Hacer nuestro propio flamenco es el triunfo individual para nuestros alumnos y debemos alentarlo.

Les comenté al principio que esto era una aventura. Estoy segura que estarán de acuerdo conmigo. Dejar legado es la ambición de un maestro. Si el tuyo no cumple con ésta condición comienza a buscar a otro, si me permites el consejo.

Me gusta que cada alumno salga contento
de haberse encontrado a sí mismo
(Ángel Muñoz, bailaor)