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sexta-feira, 26 de junho de 2009

A moda Flamenca




O vestuário flamenco transcende a categoria de “roupa típica”.
Os trajes usados pelas sevilhanas – e também pelas bailaoras e cantaoras - está em constante evolução, por imposição de uma moda própria, que se reinventa a cada temporada.





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Traje de Flamenca


"Cuando paso por tu vera
y me roza tu vestio,
hasta los huesos me tiemblan"

É a roupa que se deve vestir se vamos à “Feria de Sevilla” ou qualquer outra feira da Andaluzia. As roupas típicas flamencas são objetos de contínua renovação, ao contrário do que ocorre com outros trajes tradicionais. É o único traje regional que evolui com a moda.

"Con tus lágrimas me haré
de agua clara unos zarzillos
y unos zapatos de miel
hechos con tu desvarío
Con tus besos me bordaré
a mi volantes bravíos
con tu sangre pintaré lunares
lunaritos en tu vestido"

Guadalupe Moda Flamenca

Loli Vera

Flamenco export

Loli Vera

Guadalupe Moda Flamenca
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Origem


“Pa saber de donde vienes
no hay que ser un adivino
no hace falta más que verte
la hechura de tu vestido”

A origem do vestuário flamenco se remonta aos vestidos que as mulheres andaluzas do século XIX usavam para trabalhar. Eram os mesmos vestidos que usavam as acompanhantes dos donos de gado nas reuniões da “Feria de Abril” de Sevilha. A profissionalização do flamenco contribuiu para consagrar a vestimenta tradicional andaluza como vestuário próprio do palco, enriquecendo os tecidos, ornamentos e complementos - uma liberdade criativa que incentivou a evolução de um traje que nos anos sessenta chegou, inclusive, a ser mini-saia.

Em 1935 já é possível ver os trajes típicos, com babados e mantoncillos.


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Tradição em evolução


“Thamar, bórrame los ojos
con tu fija madrugada.
Mis hilos de sangre
tejen volantes sobre tu falda”

Nos anos 80, o corte da saia ainda era alto, quase na cintura.

A partir dos anos noventa, depois de uma década de trajes barrocamente carregados de encaixes e fitas de cetim, a roupa flamenca, em um assalto de simplicidade, deixou de lado adornos, goma e quadris escondidos, sofrendo uma metamorfose que a tornou vaporoso, leve e sensual. Tecidos sedosos, cores lisas e as eternas bolas começaram a envolver uma mulher que passou a exibir seu contorno, baixando a cintura e os babados.

Nos anos 90 começam a aparecer nas feiras cortes de saia cada vez mais baixos, que marcavam mais o corpo feminino.

Com a virada do milênio, resgata-se algumas referências do passado, sem renunciar à cintura baixa. A roupa se divide em duas peças, e as bolas aumentam de tamanho. Reinvenções que atingem, inclusive, os complementos. Se em um ano se leva a flor grande e baixa junto ao coque, no ano seguinte ela é pequena e alta; se em um ano o brinco é de argola, no outro é pendurado; se em um ano o mantoncillo tem flores pintadas, no outro é um tecido estampado.

Loli Vera

Guadalupe Moda Flamenca
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Indústria


“Parate Manuel
Que a mi falda le falta el freno
De la maquina de coser”


Essa permanente reinvenção obriga suas portadoras a acompanhar sempre as tendências de uma moda que nasce tanto na máquina de costura das amadoras, quanto nas grandes empresas dedicadas à fabricação deste peculiar vestuário. De fato, o setor já move mais de 120 milhões de euros anualmente (cerca de 360 milhões de reais). Um exemplo da magnitude deste segmento é o Salão Internacional de Moda Flamenca (Simof), que acontece todos os anos na Espanha.


SIMOF - Vicky Martín

SIMOF 2008

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Alta costura


“La silla de la cocina
tiene el niquelao partío,
y mi niña se ha enganchao
el encaje del vestío.
Tenía que ser
el día que lo estrenaba
y el que yo le regalé”

O traje flamenco chegou até a alta costura, sendo inspiração para estilistas como Yves Saint Laurent ou os sevillanos Vittorio & Lucchino, que chegaram a criar uma linha exclusiva de moda flamenca. Essa inclinação também se estendeu aos figurinos de palco, pois se Francis Montesinos veste a bailaora Eva Yerbabuena, Armani veste Joaquín Cortés.

Príncipes da Espanha. A princesa de Astúrias veste uma saia inspirada nas estampas dos tradicionais mantones de manila.



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Brasil


“Ven acá, hija Blancaflor
lucerito de la mañana
quítate el vestío de sea
y ponte el vestío de Pascua
y a ese morito que viene
entreténmelo en palabras”

O Brasil esteve muitos anos parado no tempo, no que se refere à moda flamenca. É possível dizer que a Lunares Flamenco atualizou o guarda-roupa das bailarinas no país, disseminando trajes de baile compatíveis com a tendência espanhola. Rapidamente, outras confecções seguiram os passos da Lunares.


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Grandes bailaoras y sus trajes


Sara Baras é famosa pela maneira como trabalha a saia. Ela gosta de vestidos lisos, de corte reto e sem babados.

A bailaora Eva Yerbabuena prefere os figurinos conservadores, normalmente com mangas compridas e corte simples.

Moderna e extravagante, Patrícia Guerrero ousa no lurex, no brilho do cetim, e nas combinações.

A jovem Rocío Molina opta por figurinos que combinam com seu estilo contemporâneo de dança, que vão de modernos vestidos a um conjunto de couro com botas de cano alto.

Inmaculada Ortega aposta nos tecidos originais, com cores quentes e cortes inusitados.

O vestuário masculino também se atualizou, e hoje já não faz referência aos trajes dos toureiros.
Da esquerda para a direita, de cima para baixo: Vicente Escudero, José Greco, Manolo Vargas, Alfonso Losa, Pol Vaquero, Domingo Ortega e o "aficionado" Joaquín Cortés.


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Assista a trechos de dois desfiles do SIMOF 2008:



Ao final do vídeo a modelo dança, usando um scarpin de salto 10 finíssimo




Confira uma seleção de modelos de traje de flamenca, de diversos estilistas, desfilados nas edições de 2008 e 2009 do SIMOF:




Fontes:
http://www.flamenco- world.com/magazine/about/traje/etraje.htm
http://www.deflamenco.com/
http://www.abc.es/multimedia/fotos/28157.asp (A evolução do traje de flamenca em fotos)


Lojas e estilistas de trajes de baile e paseo:
Espanha
http://www.pilarvera.com/
http://www.modalolivera.com/
http://www.guadalupemodaflamenca.com/
http://www.flamencoexport.com/

Brasil
http://www.lunaresflamenco.com.br/
http://www.maire.com.br/
http://www.riatita.com.br/




quarta-feira, 6 de maio de 2009

EsaS paLmAs

"Nas palmas flamencas, há mais força na sensibilidade do que no esforço físico", afirma o bailaor espanhol Torombo, e assim dá início a uma de suas aulas para um seleto grupo em Sevilha. Na aula, o cigano "filósofo-do-flamenco", ressalta a importância de se respeitar o ritmo e o compás acima de tudo. Para isso, é necessário controlar a emoção e sentir a música.

As palmas no flamenco são importante instrumento de percussão. Elas, no entanto, servem de adorno para o compasso, por isso não devem nunca sobressair ao ritmo. O domínio da técnica e a sinergia entre músicos, bailarinos e palmeros garantem o bom resultado.

São dois os tipos de palmas praticadas no flamenco: aberta e "sorda" (fechada). Para se tocar bem, é preciso posicionar corretamente as mãos e os dedos. Dessa maneira, é possível alcançar o som exato (alto e seco), com o mínimo de esforço físico. O aperfeiçoamento da técnica, porém, pode levar meses. A intenção correta (força e ritmidade), no entanto, requer anos de prática e estudo. As duas coisas são fundamentais: intenção sem técnica é prepotência; técnica sem intenção é desperdício.


Mi alma escondida

"Porém mais importante que a sua história e as suas técnicas, o flamenco é uma atitude, é a manifestação da alma de uma pessoa. Ser flamenco é colocar para fora sentimentos e emoções trancadas e compartilhá-las através da música, do cante, do baile e dos jaleos”, afirma o bailaor português Raul Morales em um artigo na web. “Os pés golpeiam o chão, alternando passos vigorosos e sutis. As palmas marcam o compasso e enchem de vida cada passo. No rosto do bailarino, a dor ou a alegria da guitarra e da voz do cantaor”, escreve Raul. Para o bailaor, ao contrário de algumas danças que privilegiam apenas adolescentes esquálidas, o flamenco pode ser praticado por qualquer um.

Torombo nos lembra, no entanto, que antes de começar a andar é preciso, primeiro, saber engatinhar - seja no baile, no toque ou no cante. O compasso e o baile, para ele, são como o vinho. "Um vinho barato, quando você bebe, dói muito a cabeça. Assim é o baile e as palmas de muitas pessoas. Isso acontece quando não se sabe esperar tempo suficiente para que o vinho seja um vinho de boa qualidade. Porque o vinho de qualidade tem que estar na bodega - no estúdio -, durante muito tempo. Quanto mais tempo, mais qualidade", afirma.

Para Torombo, dançar é como conduzir um carro. O bailarino explica que antes de se aprender a dirigir, é preciso conhecer a teoria e suas regras, assim como no flamenco. "Para 'conduzir' os sapatos - que são um mero veículo para levar o bailarino aonde ele deseja - é preciso saber as regras do baile. Os sapatos não dançam sozinhos", diz Torombo.

“Una fiesta se hace
con tres personas:
uno baila, otro canta
y el otro toca.
Ya me olvidaba
de los que dicen ‘¡Ole!’,
y tocan palmas”

Referências de vídeo:

Aula do Torombo, em que o bailaor explica a importância das palmas, e como devem ser tocadas

Morente, Habichuela, Gabarre, Kiki e Popo “jugando”

Palmas e ritmo por Mellano Compadres

Reportagem sobre o DVD de Jerónimo Utrilla, "Aprende y práctica las palmas"

Assista aos vídeos de rumba do DVD de Jerónimo Utrilla:
https://www.deflamenco.com/tiendaflamenco/veri.jsp?cod=2911

Artigo de Raul Morales:
http://cdsdr-flamenco.bloguedesporto.com/932/FLAMENCO/

Glossário:

Bailaor: bailarino flamenco
Cantaor: cantor flamenco
Cante: canto flamenco
Compás: compasso
Jaleos: gritos de ânimo e incentivo
Palmeros: músicos que tocam palma


terça-feira, 14 de abril de 2009

MaNTón De MaNiLa

Cuando una bailaora quiere levantar el vuelo, una delicada pieza de seda cuajada de bordados florales hace las veces de alas. Igual que la mujer sevillana hizo suyo el mantón de Manila desde que este complemento chino comenzara a importarse en el siglo XVI a través de Filipinas, entonces colonia española, fue adoptado por la cantaora como parte de su vestuario de escena y por la bailaora como pieza clave de su baile (...).

Manila, capital das Filipinas, deu o nome a um dos complementos com que a mulher sevillana e, por consequencia, sua escola de baile flamenco se sente mais identificada.

Dizem que, na época das colônias, grandes cargas de tabaco chegavam à Sevilla, vindas das Filipinas. Este tabaco era empacotado em grandes telas de seda que não eram comercializadas devido à baixa qualidade ou por apresentarem falhas. Estas telas não passavam de tecidos recortados de forma quadrada, ideal para proteger o tabaco pois lhe absorviam a umidade.

Em Sevilla, as mulheres que trabalhavam na fábrica de tabaco (onde esteve empregada a mítica Carmen) cortaram estas peças em 4 partes e adicionaram a elas franjas. Posteriormente, os “Mantones de Manila”, foram enriquecidos pela alta alta sociedade com bordados formosos de temas variados (no início os chineses eram os temas mais comuns). A delicadeza e o colorido dos bordados dos mantones cativou as sevillanas.

O mantón original teve os desenhos de dragões substituídos por flores e pássaros, adaptando-se ao gosto andaluz. Com o tempo foram criados diferentes estilos: tradicional, isabelino, de cigarreras, de pássaros, de rosas. Inclusive, Villamanrique de la Condesa (localizada na província sevillana) especializou-se na confecção destes mantones artesanais que são considerados marca registrada da região.

Atualmente, apesar de algumas empresas sevillanas serem especializadas em mantones e possuirem as mais diversas coleções de desenhos, alguns bordados são feitos na China.

Para conferir o mantón de Manila documentado na história do flamenco basta reparar em pinturas, fotografias ou vídeos de época. Bailaoras e cantaoras como La Macarrona, La Malena, La Argentina, Pastora Imperio, La Niña de los Peines aparecem envoltas em mantones ricamente bordados.

Dando continuidade à esta escola encontramos algumas bailaoras, como Milagros Mengíbar, Blanca del Rey, Maria Pagés e Belén Maya que dominam a técnica do mantón, enfatizam a importância deste adereço nas suas montagens coreograficas.

Referências de Vídeo:


Yerbabuena


La Negra, com mantón e bata de cola.


Natália Meiriño, Caña com Mantón

Fontes:
http://www.flamenco-world.com/
http://www.blogcoba.cl/

sábado, 4 de abril de 2009

BaTA de CoLA

Bata de Cola é o termo que designa um traje típico da mulher andaluza para determinadas festas. Trata-se de uma saia ou vestido com cauda.

Geralmente, os babados começam na altura do joelho de modo que haja espaço suficiente para o movimento das pernas. Uma Bata de Cola bem feita é confeccionada de modo que a cauda seja firme o suficiente para cair gentilmente e não embolar.

No Flamenco é utilizada em alguns bailes como a Soleá, as Alegrias e os Caracoles.

Para bailar com Bata de Cola é necessário muita destreza. Por isso, este instrumento não é indicado para iniciantes no baile flamenco.

A boa bailarina estabelece, no baile, um vínculo tão forte com a cauda da sua Bata que transmite a sensação de que ela é parte de seu corpo. Em alguns momentos do baile é como se a bailarina estivesse bailando para a própria Bata. A técnica inclui dosar o impulso para tirar a cauda do caminho com um movimento semelhante a um chute. No entanto, esse "chute" precisa ser suave para que a bailarina não pareça um jogador de futebol. Em alguns movimentos, a saia precisa ser sustentada por um tempo maior e conhecer o funcionamento das articulações dos membros inferiores é fundamental para uma atuação bem sucedida. O ideal para o baile é que a técnica da Bata de Cola esteja apurada de modo que a bailarina não tropece na cauda ou a deixe virar.

Referências de Vídeo:



Eva Yerbabuena, Fandangos


Inma Ortega, por Alegrias


Concha Jareño, Alegrias


Rocio Molina, Belén Maya e Merche Esmeralda, por Fiesta


Angeles Gabaldón



terça-feira, 21 de outubro de 2008

LaS CaSTañUeLAs

Texto de Pia Villar
Tradução: Manu Ángel

As castanholas (castañuelas ou palillos) são consideradas instrumento nacional do folclore espanhol, apesar de ter sua origem atribuída aos fenícios, por volta dos anos 1000 a.C. Seu nome teria derivado-se do latin castanea, ou seja, castaña e, posteriormente, sofrido derivações até chegar no nome atual: castañuela.

Consistem em pedaços de madeira (geralmente castaño) que se entrelaçam com uma corda e que, de acordo com seu som, são colocados na mão direita e esquerda. Um par de castanholas é formado dois "jogos". Um deles é chamado "macho". O outro jogo é chamado "fêmea", sendo que a "fêmea" possui tonalidade mais alta e, geralmente, é tocada com a mão direita.

No princípio, eram presas em 4 dedos enquanto eram agitadas com os punhos. Posteriormente descobriu-se que com o dedo médio, conseguia-se tirar delas um melhor som. Finalmente, no século XVIII passou-se a utilizar o dedo polegar para prendê-las pois essa era a forma considerada mais elegante para o toque. Dessa maneira, as castanholas foram introduzidas na sociedade mais refinada da época para acompanhar seguidillas e boleros em festas sociais.

A maneira como acondicionamos nossas castanholas influenciam diretamente no som que elas emitem. Para que alcancem o som ideal devemos tocá-las por muitas horas e sempre guardá-las em uma capa especial para protege-las da umidade e de temperaturas muito altas.

Geralmente, as castanholas são utilizadas nos bailes regionais folclóricos (onde o dedo médio ainda se mantém como o mais usual), na escola clássica espanhola e também para acompanhar algumas óperas como, por exemplo, Carmen (entre outras). Algumas vezes encontramos as castanholas em Tunas e Estudantinas (grupos musicais organizados principalmente por estudantes). Existem alguns concertistas de castanholas que trabalham com orquestras importantes, aportando o caráter típico espanhol com este som peculiar. Alguns concertistas de castanhola de grande destaque foram: Antônia Mercé (La Argentina), Lucero Tena, Carmen de Vicente e José de Udaeta.

Na Andalucía, as castanholas são presas, usualmente, no dedo polegar e sua utilização é mais comum nos acompanhamentos de Sevillanas e Fandangos. Em menor escala são utilizadas nas Siguiriyas por ser o estilo que mais facilmente se acomoda ao som deste instrumento.

Em Oviedo (capital das Asturias) existe um museu arqueológico onde estão expostos diversos tipos de castanholas, alguns deles realmente espantosos. Na atualidade, as castanholas podem ser confeccionadas com materiais diferentes da madeira como a tela prensada ou a fibra de vidro, que garantem a durabilidade sem perda de qualidade.

Referências de Vídeo:


Método de Manuel Salado para aprender o
toque de castanholas (Sevillanas)


Castañuelas: Graciela Rios Saiz, Guitarra: Manolo Ygles


Pilar López, Siguiriya com castanholas.

Referências na Internet:

- Historia de la Castañuela
- Esbozo para una historia de las castañuelas
- Sobre Escola Bolera

domingo, 5 de outubro de 2008

eL LeNGuaJe deL aBaNiCo

El abanico, además de convertirse en un elemento indispensable en la indumentaria de una época, se constituye en un instrumento de comunicación ideal en un momento en el que la libertad de expresión de las mujeres estaba totalmente restringida.

Cuando las damas del siglo XIX y principios del XX iban a los bailes eran acompañadas por su madre o por una señorita de compañía, con el fin de que éstas velasen por su comportamiento. Las señoritas de compañía eran muy celosas en el desempeño de la labor que se les encomendaba por lo que las jóvenes tuvieron que inventarse un medio para poder comunicarse con sus pretendientes y pasar desapercibidas.

Este objeto se convirtió en un auténtico parapeto de todo un repertorio que iba desde las sonrisas ingenuas, hasta auténticas declaraciones de enamorados .

Existían diferentes lenguajes del abanico pero todos ellos utilizaban como regla común la colocación del objeto en cuatro direcciones con cinco posiciones distintas en cada una de las cuatro. Con ese sistema se iban representando las letras del alfabeto.

Pero además de esa regla general, había ciertos gestos con significado ya conocido por todo el mundo, como pueden ser:

  1. Sostener el abanico con la mano derecha delante del rostro: sígame.
  2. Sostenerlo con la mano izquierda delante del rostro: busco conocimiento.
  3. Mantenerlo en la oreja izquierda: quiero que me dejes en paz.
  4. Dejarlo deslizar sobre la frente: has cambiado.
  5. Moverlo con la mano izquierda: nos observan.
  6. Cambiarlo a la mano derecha: eres un osado.
  7. Arrojarlo con la mano: te odio.
  8. Moverlo con la mano derecha: quiero a otro.
  9. Dejarlo deslizar sobre la mejilla: te quiero.
  10. Presentarlo cerrado: ¿me quieres?
  11. Dejarlo deslizar sobre los ojos: vete, por favor.
  12. Tocar con el dedo el borde: quiero hablar contigo.
  13. Apoyarlo sobre la mejilla derecha: sí.
  14. Apoyarlo sobre la mejilla izquierda: no.
  15. Abrirlo y cerrarlo: eres cruel.
  16. Dejarlo colgando: seguiremos siendo amigos.
  17. Abanicarse despacio: estoy casada.
  18. Abanicarse deprisa: estoy prometida.
  19. Apoyar el abanico en los labios: bésame.
  20. Abrirlo despacio: espérame.
  21. Abrirlo con la mano izquierda: ven y habla conmigo.
  22. Golpearlo, cerrado, sobre la mano izquierda: escríbeme.
  23. Semicerrarlo en la derecha y sobre la izquierda: no puedo.
  24. Abierto, tapando la boca: estoy sola

(fonte: http://www.todoabanicos.com/)

PaRTeS deL aBaNiCo


Conozca los nombres de las diferentes partes de un abanico.

  1. Pais (tela del abanico).
  2. Rivete.
  3. Fuente.
  4. Varilla. (El conjunto de todas las varillas forma el "varillaje").
  5. Fuente. (Primer tramo de la varilla).
  6. Guía. (Segundo tramo de la varilla, sobre el cual va pegado el pais).
  7. Guarda (o cabera). Nombre que reciben la primera y última varilla del varillaje.
  8. Boleta.
  9. Ojo.
  10. Guardapulgar.

eL aBaNiCo, uN LeNGuaJe cOn oTRo AiRe

Ángela C. González Varona

Contemporáneo, de doble cara, con encajes, de bambú o de marfil… el abanico se ha utilizado y se utiliza como instrumento refrescante, muy útil en los días calurosos. Aunque muchos no lo crean, el abanico sigue estando de moda.

Su origen es incierto, en tiempos de griegos y romanos hay escritos donde queda reflejada su existencia, y en China su existencia era también milenaria. En España existen fragmentos de cerámica ibérica procedentes de Liria (Valencia) donde se observa una figura femenina abanicándose. Pero es en el siglo XIV donde encontramos las primeras referencias al abanico, en la Crónica de Pedro IV de Aragón. Dos siglos después, a mediados del siglo XVI, se introduce el abanico plegable, y con él la creación artesana florece, surgiendo la Real Fábrica de Abanicos en Valencia, que permitió que se abaratase el producto. Más adelante, la artesanía abaniquera se enriquecerá con reproducciones de escenas románticas, taurinas y costumbres valencianas.

El abanico, además de constituir un elemento indispensable de la indumentaria del siglo XVII, se convierte en auténtico instrumento de comunicación en una época en la que las mujeres tenían muy limitada su libertad de expresión.

Cuando las damas del siglo XIX y principios del XX iban a los bailes, eran acompañadas por su madre o por señoritas de compañía, que velaban por su comportamiento y eran muy estrictas en el desempeño de su labor, por lo que las jóvenes tuvieron que inventar un medio discreto para poder comunicarse con sus pretendientes.
Su arte es muy característico y dentro de lo que se ha denominado “el lenguaje del abanico“, cada movimiento tiene un significado muy concreto. Este lenguaje, desconocido para muchos, respondió a una necesidad de las mujeres de comunicarse con sus enamorados que, sin duda, dominaban perfectamente este código secreto.

Totalmente perdido en nuestros tiempos como medio de comunicación, el rico lenguaje del abanico tuvo un importante papel en la relaciones humanas y más concretamente en el flirteo entre mujeres y hombres. Aunque dentro de este lenguaje había diferentes modalidades, la regla común era la colocación del abanico en cuatro direcciones, con cinco posiciones distintas en cada una de ellas. Con este sistema se iban representando las letras del alfabeto.

Igualmente, dependiendo del gesto que se realizara con el abanico, el significado cambiaba radicalmente. Así, sostener el abanico con la mano derecha delante del rostro quería decir “sígame”; moverlo con la mano izquierda, “nos observan”; cambiarlo a la mano derecha, “eres un osado”; dejarlo deslizar sobre la mejilla “te quiero”; abanicarse despacio, “estoy casada”; abanicarse deprisa, “estoy prometida”, o apoyar el abanico en los labios “bésame con pasión”. Son unos pocos ejemplos de todo lo que se podía expresar con el abanico.

Es una costumbre que en un tiempo fue precisa para el propio desahogo de la mujer y que hoy ha perdido todo su sentido, lenguaje peculiar que ha desaparecido, cayendo en desuso : si alguien ve, hoy en día, a una señorita con su abanico tirado en el suelo, lo que en un día significó “te pertenezco”, que no se haga ilusiones, porque simplemente su dueña habrá tropezado y se le habrá caído al suelo.